Aprendizado de língua estrangeira

Para aprender uma nova língua — aprendê-la de verdade –, é imprescindível voltar a ser criança. É preciso recomeçar a enxergar o mundo, aprender a nomeá-lo e falar sobre suas coisas novamente. Não basta uma adaptação meia-boca, é preciso renascer para uma outra e nova vida, como a criança que um dia foste nascera e crescera para um novo mundo.

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Oração

Um domínio do idioma tal que faça de toda ideia não só palavra precisa, mas beleza solar. Um domínio do casal, pensamento e idioma, que nos faça forjar lanças agudas, jardins de damas-da-noite e rosas, ao nosso simples comandar. É o que quero — e só o que quero. Deus, concede-me isto! Tu sabes que sou ovelha do aprisco teu, ainda que de leve enegrecida. Ó, vida, que transpassas os que te amam, transpassa-me a mim — mas não só –, deixa teu perfume e unguento, e que, com a paixão do pensamento, possa decifrar-te na paz dos servos teus.

Se não tens imaginação…

Se não tens imaginação, ou, ao menos, a sincera intenção de desenvolvê-la, não te ponhas a ler poemas. Porque o poema exige-te capacidade de montar um cavalo alado e, despreocupado, voares por um mundo tecido aos poucos, vagarosa e deslumbrantemente. Se não tens apreço pela palavra — ou paciência —, não toques em poema, porque o poema quer ser deliciado, quer pôr-te apaixonado, perdido na beleza das palavras e sua delicadeza (mesmo o mais bruto dos poemas é delicado). Se queres só o que é comum e trivial, vai à padaria, faz um chá, mas não te ponhas a ler poemas, porque o poema é uma droga benfazeja, nascida do sexo entre o tédio e a paixão pelo que vai solto, desprendido a navegar, e pode tirar-te o chão. Mas se queres gozar, jubilar-te, rodopiar… ah!… põe-te a ler poemas, que esses são florestas virgens, minas secretas, fontes de águas crespas, e pôr-te-ão a levitar por mundos ricos e incríveis – e a amar.