Para ler

Para ler coisa mais longa (uma novela, um romance, ou até mesmo um ensaio que se estenda mais), é preciso deixar-te numa posição de repouso, n’algum canto confortável. Ler em frente ao monitor não dá! É um horror! Além disso, necessário é ter já feito todos os afazeres de obrigação: o chão da cozinha varrido, a pia limpa e a louça seca e guardada, bichinhos alimentados e quartos arrumados, cada coisa no seu lugar adequado. Aí, sim, podes começar a ler algo. É preciso paz para ler com proveito, porque ler por ler é mato, não nos aproveita nada. Melhor não ler que ler assim – de fato –, melhor gastar tempo pulando corda na praça ou esparramado na grama do parque, ou qualquer outra coisa que tenha mais recheio que o passar de olhos por linhas de letras e pontos. Concentração é imprescindível, estar ali e naquele instante, e, se fugires, traz-te de volta, agarra-te, domina-te e obriga-te a estar por ali. Para fechar, é bom gostar, gostar de o mundo parar, perder-te em ideias e imaginação, que é aí que fica bom.

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